Coolkies: Como tudo começou.
- Ariane Bertinetti

- 7 de fev. de 2023
- 4 min de leitura
Quem conheceu a Coolkies nos últimos 3 anos, já com o projeto do casamento em andamento, não tem ideia de que, na verdade, a Coolkies é de muito antes de eu conhecer o Pedro.
E é sobre isso que vim contar. Pois é, a Coolkies não surgiu do fruto do nosso amor. Na verdade, a Coolkies foi criada por mim, Ariane, lá em 2015 quando eu passei em Jornalismo na UFPel.
Era 2014 e eu havia acabado de sair de um relacionamento abusivo que quase me matou. Tive que voltar para casa dos meus pais em Iporã - PR, numa depressão profundo e pesando 45kg. Foram tempos sombrios. Ainda mais em Iporã que é uma cidade de menos de 15mil habitantes e que todo mundo sabe da vida de todo mundo. E foi assim que acabei me aproximando novamente de amigos de infância, que frequentavam uma igreja evangélica da cidade, e tinha um grupo jovem bem bacana. Apesar de ter sido criada em uma casa de evangélicos, nunca gostei muito de ir em cultos, sempre tive vários problemas com doutrinas cristãs e me achava muito "cool" pra estar naquele tipo de ambiente. Mas os membros jovens eu adorava. Aos poucos começamos a nos ver todos os dias e fui conhecendo mais gente. A gurizada tava sempre em casa me ajudando e me colocando pra cima. Eu, que estava super fragilizada, consegui forças através do apoio desse grupo e por isso sempre serei grata.
Foi esse grupo inclusive que botou pilha quando eu sinalizei minha vontade de vir pra Pelotas, que é minha cidade natal, para fazer faculdade e pra arrecadar dinheiro para a minha mudança, decidimos fazer um bazar. Como eu contei no primeiro post, eu era blogueira e graças a isso, eu tinha MUITA coisa. Muita roupa, sapato e acessórios. Em uma semana - antes mesmo de sair o resultado que eu havia passado no vestibular - organizamos um evento em casa. Aos poucos, os membros desse grupo foram trazendo desapegos próprios e o acervo de peças foi ficando cada vez maior. Foram dias etiquetando, separando peças e organizando cada detalhe. E aí que entrou a primeira receita de cookies que tive acesso. Uma amiga sabia uma receita e fez pra gente provar uma noite. Logo virou algo corriqueiro e no dia do bazar, inclusive, tinha cookies pra vender e ajudar na arrecadação.
Na época, eu fiz um vlog sobre tudo isso e cheguei a postar no youtube. Reparem como eu estava magra e doente na época.
Eu passei em jornalismo, vim pra Pelotas, mas o dinheiro não durou muito. Além das despesas da viagem, eu precisei achar um lugar pra morar e me manter. Eis que um dia, em março de 2015 eu pensei em fazer cookies e sair pra vender. Na mesma noite, com a ajuda da minha irmã, criei o nome e idealizei até a logotipo da Coolkies. Eu tinha 12 reais na minha conta. Um amigo da faculdade (esse que aparece na thumb do vídeo, inclusive! Valeu Zander!) me emprestou 50 reais para eu comprar os ingredientes e eu fiz 28 cookies usando a cozinha da minha avó. Naquele final de semana eu sai pra vender no sábado e em uma volta na praça, eu vendi todos os cookies. No domingo de manhã, corri pra minha avó para fazer mais 28 e vende-los na praça e no Piquenique Cultural que tava rolando no estacionamento do Guanabara.
Paguei meu amigo, consegui um emprego numa loja no centro, mas não desisti da Coolkies. Fazia a produção usando o forno da minha avó, de amigos... E assim foram por alguns meses. Nessa mesma época participei pela primeira vez do Sofá na Rua e foi muito legal. Logo depois, teve uma fase em que juntei uma galera pra revender os cookies na rua e nos campi da faculdade. Cheguei a ter 12 vendedores ambulantes me ajudando. Foi nessa época também que ganhei a logotipo com o mascote da Coolkies que usamos até hoje.
Primeira fornada; 2º dia de vendas; 1ª logotipo improvisada; Vendendo na faculdade; 1º Sofá na Rua.
Quando voltei a trabalhar na área de marketing em 2017 deixei de lado a Coolkies pra focar no trabalho de assalariada. Fazia cookie só para amigos ou encomendas especiais.
Em 2019, após 2 anos de namoro, foi o Pedro que teve a ideia de trazer a Coolkies de volta à ativa. Inicialmente pra pagar a minha câmera fotográfica (eu vendi todo o meu equipamento fotográfico na mesma época do bazar) e, depois, pra pagar o nosso casamento.
Com a ajuda de uma amiga influenciadora na época, conseguimos visibilidade e, aos poucos, os clientes foram nos conhecendo. Participamos do Sofá na Rua, entramos no iFood e fomos matéria da capa do Jornal Diário Popular. Com o tempo, fomos acrescentando sabores e produtos novos no cardápio. No início de 2020, resolvemos nos mudar porque a cozinha que usávamos não comportava a nossa produção. Uma semana depois que abrimos a Coolkies pós mudança, a pandemia do Covid-19 estourou. Ficamos fechados por 9 meses até nos sentirmos seguros novamente para abrir as encomendas. Durante esse período nos capacitamos, fizemos vários cursos de confeitaria e mudamos nossa receita. De lá pra cá, muita coisa aconteceu, a pandemia finalmente passou e tivemos a oportunidade de voltar a expor no Sofá na Rua, o que foi um momento muito importante e especial pra gente, pois finalmente pudermos conhecer pessoalmente vários clientes que só havíamos mantido contato através das mídias sociais.
1ª foto do projeto Coolkies pra casar em frente a Igreja Cabeluda; 1ª Sofá na Rua como casal da Coolkies; Capa do Diário Popular e fotos para a matéria; Último Sofá na Rua que participamos em 2023.
E agora seguimos aqui, com vários projetos para a Coolkies e a data do casamento marcada.
Muito obrigada a quem os acompanhou por todo essa jornada e espero que continuem apoiando nosso trabalho e nossos sonhos. 2023 é o ano da virada e isso só é possível graças ao apoio de todos.
Piscabeijos ;*
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